domingo, 11 de junho de 2017

A certeza da incerteza

Sobre textos esquecidos nos rascunhos...

"Durante esses meus 20 e poucos anos de experiência de vida posso dizer que aprendi algumas coisas: tudo é incerto e, por mais clichê que pareça, a única certeza da vida é a morte.

Eu me considero uma pessoa "de boa", mas, esses meus últimos anos foram anos de mudanças bem importantes. Não estou aqui para falar quais foram exatamente essas mudanças, mas houve muitas.

Diante de tudo isso a gente percebe que devemos sim ter planos para o futuro, pensar no futuro e ter como meta a vida que imaginamos ser a melhor para todos nós, mas, uma coisa que não nos avisam é que precisamos estar preparados (ou pelo menos tentar) para as peças que a vida prega na gente. A única alternativa que sobra é nos adaptarmos, por mais difícil que a situação pareça. Planejar o futuro meticulosamente a longo prazo é bobagem, porque as coisas nunca acontecem exatamente como a gente espera. Até a gente com o tempo muda o que planejou. E que graça teria a vida se tudo acontecesse do jeito que a gente quer? Se fosse assim a gente não daria valor à vida.

Não estava nos meus planos de vida perder a minha avó. Isso já aconteceu há alguns anos e até hoje isso mexe comigo. Não estava nos meus planos, sabia que ia acontecer algum dia, mas não naquele ano. Mas eu estou aqui, sigo minha vida, sigo feliz (embora se ela estivesse aqui estaria ainda mais feliz). A vida é assim mesmo: uma caixinha de surpresas (boas e ruins).

Eu, que detestava Açaí, hoje sou uma viciada nesse negócio bom. Exemplo besta, eu sei, mas é o que acontece muitas vezes. A gente paga pela própria língua, por isso resolvi não mais incluir "nunca" e "sempre" nas minhas falas (exceto Engenheiros do Hawaii que eu sempre vou amar).

Outra coisa que eu aprendi é que você nunca (nunca!) deve por a mão no fogo por ninguém. Pessoas podem ser cruéis, podem te machucar. E isso (ser machucado ou machucada) também te muda. A gente, com o decorrer da vida, vai formando cicatrizes na alma, coisas que te machucam, com o tempo passa, o sofrimento acaba (ufa), mas que sempre vão deixar aquela marca e quando você olha pra essa cicatriz, lembra do que aconteceu.

O bom das coisas que acontecem com a gente é que elas nos mudam, a gente amadurece e consegue olhar aquilo de outra forma. A gente se importa com tanta coisa besta e se deixa levar por essa vida corrida e esquece que é necessário tempo pra se refletir sobre a própria vida. Um dia só seu, um dia com você mesmo é tão importante e faz tanta diferença.

A gente se depara com encruzilhadas da vida e o pior de tudo não é nem a encruzilhada em si, mas qual caminho seguir. Nessa decisão não adianta pedir ajuda pra sua mãe ou pro seu pai, o caminho é seu e você que tem que escolher e seguir, você que tem que assumir o controle da sua própria opção e assumir, também, as consequências do que você escolheu. No final das contas, não acho que exista um certo ou errado. No final das contas, na minha opinião, a escolha deve ser o que for melhor pra você, ou pelo menos, o menos pior. No final, o que importa é seguir um dos caminhos, o que importa é não ficar. O fato é que não existe certo ou errado escrito nos "caminhos da vida" e não tem como a gente avançar anos na frente pra ver no que deu e se não tiver dado certo voltar atrás pra mudar de escolha. A vida é feita de escolhas. Existe uma música do Engenheiros do Hawaii que diz "quem constrói a ponte não conhece o lado de lá"... É claro que quem constrói a ponte conhece o lado de lá porque caso contrário não faria a ponte (sou muito besta kkk)... Agora falando sério, mudanças fazem parte da vida, não adianta você não se arriscar por medo do desconhecido. Eu mesma não me conheço direito às vezes.

Encerro esse texto aleatório dizendo que: faça suas próprias escolhas, mas faça com cautela, reflita. Pense em você, pense no que você sente, pense em quem você é. Mas, mesmo pensando em você, não magoe, não deixe uma cicatriz na alma de alguém. Deixe amor."

sábado, 1 de abril de 2017

Saúde mental: não é brincadeira!


Muitas vezes nos deixamos ser comandados pela faculdade ou trabalho. O que é algo muito errado.

Logo no começo da faculdade, eu era muito estressada, não sabia organizar meu tempo e vivia ansiosa, etc. Hoje, já na segunda metade do curso, vejo que evoluí muito. Hoje consigo conciliar melhor as diversas áreas da minha vida. E não, a faculdade continua lotando nós, alunos, de coisas pra fazer (muito mais do que no início), mas não deixo isso me abalar.

É - positivamente - impressionante como controlar e manter bem a sua saúde mental muda a sua vida pra melhor! Mas pra isso é preciso saber uma coisa que não é muito fácil e exige tempo pra reconhecer: seus próprios limites. Saber seus próprios limites é aceitar novas coisas quando você sabe que vai conseguir fazer aquilo e também é recusar outras coisas porque você sabe que não vai dar conta.

Cuidar da saúde mental é estudar direitinho na faculdade, mas também é fazer uma atividade física, dormir (e dormir bem!), ter amizades que te façam bem, aproveitar sua família, se alimentar de forma saudável (mas também comer besteira de vez em quando porque ninguém é de ferro né meu povo)... A gente se sente bem mais leve, bem melhor.

O preço que se paga por levar uma vida corrida é alto, até mesmo a morte: é só ver que essas pessoas que vivem estressadas, cheias de coisa pra fazer geralmente tem hipertensão arterial... ou até mesmo acabam tendo infarto, AVC, etc. Não é brincadeira. Não estou dizendo pra você desistir de tudo e não fazer mais nada na vida, mas pelo menos tentar organizar melhor as coisas, faz um bem danado viu.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Corpo x Mulheres Reais x Feminismo


Eu sou feminista.
Acho triste que muitas pessoas, homens e mulheres, interpretem as ideias feministas de forma errônea, tentando desvalorizar tudo o que tentamos conseguir e tudo o que conseguimos. O feminismo não prega que a mulher deve não se depilar, não se casar, etc etc etc. O feminismo prega que a mulher deve ser feliz do jeito que ela quiser: se ela quiser ser feliz sendo dona de casa, ótimo, e se ela quiser ser feliz sendo presidente da república, ótimo também!

Mas se tem uma coisa que eu e muitas outras mulheres ainda temos muita dificuldade de lidar é... o nosso próprio corpo. Sim, nosso corpo. É difícil aceitar nosso corpo quando a sociedade todo dia através de todos os meios nos passa a ideia de um padrão de beleza que deve ser seguido. Isso já é tão incorporado em muitas de nós que quando aumentamos um pouco de peso já queremos perder.

Mas isso é uma coisa que vem de muito tempo: lembra da sua Barbie? Super magra, cabelos lisos e peitos grandes. A manipulação sempre foi tão grande que sempre que eu ganhava uma Susi eu não gostava. A Susi tinha o olho grande, a boca grande, seios pequenos, cintura muito  - negativamente pensava eu - diferente da Barbie. Mal sabia eu que a Susi é muito mais próxima de nós (mas não igual), mulheres reais, do que a Barbie era. Além disso, havia uma necessidade enorme de se ter um namorado pra Barbie, lembram disso? E também a representatividade negra - ambas, Susi e Barbie - sempre foi muito pouca (hoje que a situação está mudando). Mas, por mais que a Susi fosse mais próxima das "mulheres reais", ela ainda conservava o corpo sem os famosos pneuzinhos, sem as estrias, etc. No final das contas, a representatividade não era tão representativa assim.
Ontem eu vi uma manchete de uma página de Facebook - não sei se realmente era verdade - elogiando que a Fernanda Vasconcelos passou do manequim 38 para o 34. Sério: elogiando! Gente,  eu vestia quando eu era criança/pré-adolescente. A mulher tá magérrima, mas é uma magreza patológica, não é saudável. Até que ponto nós mulheres vamos continuar sob os mandamentos criminosos dessa ditadura da beleza? E mesmo que você diga "Ah, mas segue quem quer" essa ditadura é semelhante a um relacionamento abusivo: você sabe que está em um, mas pra sair é difícil demais.

Também vi pessoas comentando sobre uma propaganda da marca Calvin Klein em que aparecia uma mulher super magra (mas patologicamente, como sempre) vestindo um jeans. A maioria das pessoas estavam criticando aquilo, isso pelo menos já mostra uma certa resistência a esse padrão de beleza. Isso é bom. Mas quando será que vamos ver o mundo da moda realmente valorizando as mulheres reais. Mulheres que comem arroz, feijão, macarrão, carne, frango... Mulheres que bebem... Mulheres que vão ao McDonalds de vez em quando... Mulheres que gostam de sorvete... Enfim, quando realmente vamos ser representadas?

E a ditadura dos cabelos? Durante muito tempo os cabelos cacheados e crespos foram silenciados e marginalizados. Quantas pessoas fizeram escova progressiva/alisamento em seus cabelos pra se sentirem mais bonitas? Eu, por exemplo, fui uma. A mídia nos obrigou a desfazer nossos cachos, a negar nossa própria essência, a negar a nós mesmas, pois nosso cabelo faz parte da gente. Hoje as coisas já mudaram pra melhor (embora ainda exista muito preconceito), por exemplo: hoje em dia existem diversos produtos pra cabelos crespos e cacheados, produtos novos com componentes novos. Hoje não existe apenas "Produto para cabelos cacheados", existe produtos para cachos comportados, cachos volumosos, existem produtos com óleos e ceras adicionados para tratar os cachos, reparador de pontas pra pessoas com cabelos cacheados, dicas de como se deve secar os cachos, de como de deve finalizar os cachos, dicas de penteados para cabelos cacheados... enfim, hoje os cachos estão sendo valorizados! Existem diversas YouTubers só falando de cabelos cacheados. Digo isso porque reassumi meus cachos e estou muito feliz. Não estou dizendo que todo mundo que faz progressiva é porque quer se encaixar no padrão de beleza que sempre nos foi imposto, mas que o padrão de beleza tem importância, isso tem.

Outro dia eu fui comprar comida aqui numa senhora que vende pratinho de comida na minha rua e uma das pessoas que estavam lá estava comentando de que havia ido pra Gramado e que lá (em Gramado) não existe gente feia como no Nordeste, só existe gente magra, loira e com os olhos claros. Existe coisa mais triste de se escutar? Primeiro que esse padrão de que gente bonita são os brancos, loiros e de olhos azuis foi coisa imposta pelos europeus e que nós - infelizmente - assimilamos. Quer dizer que então o sangue que corre nas minhas veias, sangue indígena, sangue negro tem menos valor que o sangue dos brancos? Só vou ser uma mulher bonita se eu alisar meu cabelo, descolorir pra ficar loiro e colocar lentes azuis? Triste de quem desvaloriza suas próprias origens, de quem desvaloriza a si mesmo. Eu não acho que nenhum povo seja feio ou mais bonito que os outros, mas eu acredito que as belezas existentes nesse mundo são, simplesmente, diferentes. São variações de um espectro de beleza, mas nenhuma melhor ou pior que a outra. Mas, infelizmente, poucas pessoas pensam assim. Muita gente ainda julga pela aparência: coloque uma branca loira dos olhos azuis e um negra dos olhos castanhos e cabelos crespos em uma mesma loja: o tratamento é diferente, amigos, infelizmente.

O feminismo está com tudo, mas confesso que essa parte do corpo é uma parte super delicada e ainda muito difícil de lidar para nós mulheres, pois é algo que colocam na nossa cabeça desde que éramos crianças pequenas. Quando vamos vencer essa batalha?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Não seja mais um chato


O Carnaval chegou (na realidade já acabou, praticamente). Vi muitas pessoas nas minhas redes sociais dizendo: "Ahh, a crise termina hoje (sexta, quando vi) e volta na quinta", "ahhh o povo vive dizendo que não tem dinheiro e no carnaval todo mundo viaja" etc etc etc

Muita gente reclama que carnaval só tem gente bêbada, querendo pegar os outros e dançando músicas chatas. Na minha opinião, no Carnaval tem todo tipo de gente e é uma forma de muita gente se desligar um pouco da realidade. Sim, a realidade do nosso país é cruel, precisamos, algumas vezes, fugir da realidade pra lidar com tudo isso. Não estou dizendo que por causa disso devemos sair por aí bebendo todas, transando com todo mundo sem camisinha, fumando maconha, etc... Não, estou dizendo apenas que se divertir (com moderação) faz bem. É bem legal montar sua fantasia, sua maquiagem e sair com os amigos pra relaxar, se divertir, dançar e beber alguma coisa. E o melhor: se banhar no glitter! ^^

No lugar de você ficar no facebook criticando quem gosta de cair na folia, por que você não faz alguma coisa que gosta? O carnaval não vai deixar de acontecer porque você não gosta, você só tá sendo chato. E isso é algo recorrente no facebook, as pessoas reclamam de tudo, as pessoas estão ficando muito chatas. Mas as reclamações que eu falo são em relação a coisas como carnaval, roupas, comidas, etc. (Porque reclamar de feminismo, homofobia, racismo já é outra história, é coisa séria! Feminismo é coisa séria, racismo é coisa séria e homofobia é coisa séria!).

Eu, por exemplo, que sempre reclamava de carnaval, passei a achar legal porque me permiti experimentar. Fui pros pré-carnavais aqui de Fortaleza, conheci uma banda muito show chamada Os Alfazemas e todo final de semana marcava presença. E foi muito bom. Isso tudo porque decidi me permitir. Eu que antigamente achava que, por gostar de rock só podia escutar rock (besteira de adolescente) hoje tento escutar de tudo antes de dizer que não gosto de algo. Continuo amando rock, mas também gosto de música popular, brega, etc.

Então o que eu tenho a dizer - minha opinião, claro - é:

1. Se você não gosta de carnaval mas nunca experimentou vivenciar o carnaval: experimenta primeiro, você pode achar legal assim como eu achei. Mas também pode não achar legal e não curtir, claro.

2. Se você não gosta de carnaval e já caiu na folia mas não gostou: não precisa ficar reclamando no facebook porque você só vai ser chato.

Tenho a impressão que hoje em dia muita gente se priva de várias experiências pra bancar o cult-chato no facebook.

Já li coisas do tipo: "Ah você faz Medicina, não pode ficar saindo, tem que estudar". As pessoas se esquecem de que existe a saúde mental. Eu estou no 4º ano da faculdade de Medicina, nunca fiquei de final e me permito ter o meu momento pra relaxar. Não existe ser humano saudável nesse mundo que só viva para a faculdade/trabalho. Ser humano precisa de faculdade e trabalho sim, mas também precisa de Deus (para os que acreditam), família, amigos, amor, dinheiro, viagens, sexo, etc. A nossa vida merece ser vivida.

Imagina só: você com 70 anos de idade e sempre reclamou do carnaval mas nunca se permitiu aproveitar o momento... Não digo nem apenas só o carnaval, mas a vida mesmo. A gente precisa fazer besteiras pra rir delas no futuro, a gente precisa fazer novas histórias pra lembrar com os amigos e reviver aquele momento no pensamento (recordar é viver!). 

Eu - nesses meus 23 anos de vida - posso dizer que ainda tenho muita coisa pra viver (espero) e ainda quero fazer muita (MUITA) história pra contar sendo carnaval ou não. Quero viver e aproveitar tudo o que essa vida pode me oferecer! Vamos viver, amigos! :)


Eu não gosto de cerveja, mas essa Skol Beats Secret é boa (foi assim que comecei o post)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

3:50 AM

Silêncio. Acordar de madrugada sempre tem aquele ar de mistério, de que você deveria estar dormindo (porque mais tarde você vai sentir falta dessas horas não dormidas). Também me lembra dos tempos em que minha tão amada avó era viva e em que acordávamos de madrugada pra viajar pra casa dela, os carros da família viajando pelas estradas do interior desse estado tão cheio de diferentes paisagens... A madrugada também me lembra o medo, o medo que eu senti quando bandidos entraram na casa ao lado e que deu pra escutar tudo (e que a polícia demorou)... A madrugada me lembra de quando eu ia dormir cedo e acordava de madrugada pra estudar pra faculdade (bobinha, você, Mariana). Também me lembra o medo de acordar 3h00 por causa do filme da Emily Rose (é assim?) e outros filmes de terror (nunca se sabe se é verdade ou não né? Acho que prefiro não descobrir).

Enfim, acordei 3h50 da manhã e não consegui dormir mais. Não, isso não costuma acontecer comigo. Na realidade, isso NÃO acontece comigo. Não sei bem o motivo de isso ter acontecido mas espero descobrir em breve (sou aquele tipo de pessoas que odeia lacunas em branco e sempre quer respostas pra tudo, talvez seja por isso que eu despertei em mim uma vontade de estudar a morte nos últimos meses - e pense num estudo massa, sério!).

Como uma boa taurina, não gosto de mudanças bruscas e sempre prefiro o que eu já estou acostumada. Isso é bom, pois nós de Touro podemos garantir estabilidade a quem esteja interessado na gente, mas, por outro lado, essa estabilidade pode se tornar um comodismo e você apenas viver desse jeito porque não quer mudar.

Já estou quebrando um pouco disso.

Quem me conhece sabe o quanto eu detesto (ou detestava) o carnaval. Nesse ano que mal começou, me permiti a ir pra pré-carnavais (mas sem ser aqueles forrós chatos que só têm batidas chatas, caras malhados com carrões, meninas malhadas que só comem frango e batata - isso pra ambos - etc etc etc). Fui pra uns em que foi realmente muito legal, comprei até uns acessórios... e amei! Além disso, quem me conhece sabe que eu sempre falava que açaí tinha gosto de terra e agora eu gosto. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que não gostava e agora gosto, pelo contrário, acho uma graça essa minha graça de não gostar e passar a gostar e de gostar e de passar a não gostar.

Agora já são 5h29 e já tá amanhecendo aqui: como eu amo  o amanhecer! Sério! Eu AMO. Me dá uma sensação muito boa de recomeço, de uma nova oportunidade, de que eu tenho - literalmente - todo o dia pela frente e eu gosto disso. Nos últimos meses eu refleti muito. Acho que a gente vai ficando velho - tô com 23 - e vai assimilando mais as coisas e crendo mais na nossa finitude. Eu passei a tentar aproveitar mais as coisas ao meu redor, as coisas mais simples. Sou uma viciada em WhatsApp, Facebook e Instagram (Meu Deus, pra quê inventaram esse Snapgram?!), admito isso, mas também admito que estou conseguindo me desvencilhar um pouco.

Sabe você ficar sentada(o) na areia da praia de Canoa Quebrada e ficar ali, no final da tarde, de boas, só curtindo aquela vista maravilhosa?! Pois é, cara, como eu AMO isso. Embora aqui nesse país tenha muita violência, eu nasci no país e no estado certo: COMO EU AMO A PRAIA! (ainda não sei como comecei falando de madrugada e vim parar no assunto praia - na realidade eu sei porque é só ler o texto de novo, mas... enfim).

Hoje é sábado! Hoje tem pré-carnaval! Hoje tem  meus amigos! Hoje tem minha família! Hoje tem VIDA, amigos, vamos viver! :)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

As pegadas



Nesta última semana do ano - e mais uma semana de férias, diga-se de passagem - aproveitei pra fazer algo que eu sempre gosto de fazer: pedalar na beira mar e depois sentar na areia e observar o mar. Quanta riqueza podemos observar... Vi uma senhora passeando com seus dois cachorros: um grande e outro bem pequeno, esse último, inclusive veio correndo até mim e lambeu meu rosto. Também vi uma criança muito feliz ao tomar banho nas ondas do mar. Vi também uma mulher correndo na areia úmida, deixando pegadas onde pisava. E, por mais simples que isso seja - e corriqueiro - comecei a refletir...

Cada um deixa suas próprias pegadas na areia.

Algumas pessoas têm os pés maiores e outras pés menores, alguns são pés gordinhos e outros têm pés finos; outros pés são ásperos, calejados... já outras pessoas possuem pés macios... além disso, as impressões digitais são diferentes... Em suma, cada pessoa tem pés cujas características dizem respeito a essa mesma pessoa.

Começamos nossas pegadas na praia da vida quando nascemos e durante a nossa vida vamos formando mais pegadas, aumentando nosso caminho... A marca do pé pode até ser diferente (pois crescemos, por exemplo), podemos mudar a direção... Nosso caminho é.. nosso.

A vida é muito. Podemos ter família e amigos, podemos comer aquele pedaço de pizza do sabor que amamos, podemos assistir nossa série de televisão preferida (oi, Netflix), podemos fazer uma faculdade, podemos ter um emprego e ganhar nosso próprio dinheiro... A vida tá aí e a cada novo dia sempre precisamos tomar decisões, aumentamos ainda mais nossas pegadas e vamos aumentando nosso caminho.

Vai chegar um momento em que o mar simplesmente virá e apagará as pegadas. E simplesmente nosso caminho desaparecerá: morreremos.
Estou lendo um livro sobre a morte e, mesmo ainda tendo lido apenas umas 50 e poucas páginas, achei interessante muitas coisas que li. Por exemplo, o livro cita que, no inconsciente de nossas mentes, somos imortais. Conseguimos aceitar a morte do outro, mesmo sendo alguém próximo (o que, com certeza, é MUITO doloroso, mas... conseguimos aceitar, mesmo que parcialmente), mas não conseguimos aceitar a nossa morte. E isso ainda tem influência da Medicina e da própria sociedade, que tratam a morte como fracasso e inimiga, respectivamente. Não conversamos sobre a morte. Conversar sobre a morte traz azar, é algo desnecessário, é algo que deve ser deixado para a hora em que acontecer... ou não. Por que a morte é tão traumática? Talvez ela fosse menos traumática se nos propuséssemos a falar mais sobre ela, sofreríamos menos.

E o mar apagou as pegadas da mulher alguns segundos depois que ela passou correndo...

Nós somos breves. No fundo, pensamos que somos imortais, mas não somos.

Mais um ano se acaba. Mais um ciclo se inicia. E mais oportunidades virão para criarmos mais pegadas e aumentarmos nosso caminho.

O mar virá algum dia e apagará nossas pegadas? Sim, claro, essa é a única certeza absoluta que temos na vida. Mas estamos vivos e, enquanto houver areia úmida para formar pegadas, vamos aumentando nosso caminho.

A vida é realmente bela e um presente. E é uma raridade, sabe por quê? Até no momento da fecundação apenas um espermatozóide e um óvulo são usados, pensa bem em quantas possibilidades de vida (porque só gameta não é vida né) simplesmente viraram passado? Eu sei que essa parte ficou bem a cara de livro de autoajuda, mas não deixa de ser verdade.

A vida nos prega peças e surpresas, mas são coisas que não podemos prever.

Mas há uma coisa que podemos fazer: viver!

Venha 2017 e traga coisas boas, energia boa, uma vida boa.

Feliz ano novo! (Eu sei, falta 1 dia ainda, mas quero desejar logo!) :)

P.S. Essa foto dessa pessoa na praia sou eu no meu habitat natural: Canoa Quebrada! :)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A vela


Hoje foi mais um dia normal pra mim. Fui pra faculdade, assisti às aulas, voltei pra casa. Hoje foi apenas mais um dia normal pra mim. Mas, como eu falei: pra mim.

Enquanto caminhava pela faculdade (a minha faculdade tem muitos departamentos espalhados, logo, é bem grande), ao passar perto de um determinado departamento, vi um carro de uma funerária parado (provavelmente esperando algum corpo - de alguém que já fora vivo(a), como eu e como você que está lendo esse texto agora). Fiquei pensando: hoje pra mim é um dia normal, mas para essa pessoa, não há mais dia, e, para a sua família e amigos, hoje não é um dia normal nem um dia feliz.

Passei por essa sensação de perder alguém especial há menos de um mês e fiquei pensando: Nossa, essa pessoa está passando pelo que eu passei. É como se fôssemos televisões: hoje, na minha Tv, passou a programação habitual, mas para aquela pessoa não. Para ela a programação de hoje foi totalmente fora do habitual, fora do padrão. E, sinceramente, o habitual é o que mais faz falta. Quando você perde alguém, o que mais faz falta são os dias... comuns! Sim, o que mais faz falta é a rotina. O que mais faz falta é chegar em casa e não ter aquela pessoa lá, é acordar de manhã e saber que aquela pessoa não está mais aqui.

Somos todos uma chama de vela: não importa o tamanho da vela (comprida ou bem curtinha, com a parafina quase no final), a chama pode se apagar em qualquer momento. Temos a sensação de que temos controle sobre tudo, quando, na realidade, não temos controle sobre nada.

Na minha Tv hoje, a programação foi normal. Mas existem milhões de Tvs por aí com suas milhões de programações.

Mesmo assim, diante de programações diferentes, por que não tentamos ser empáticos? Mesmo com a programação normal em nossa Tv, por que não podemos amparar aquela pessoa em cuja Tv a programação mudou radicalmente?

Fui ao banco e duas pessoas se desentenderam por uma tremenda besteira que não vem ao caso: de que adianta se preocupar por tão pouco? Por besteira? No final do dia, ao refletirmos, esses atos fazem apenas mal. É isso que queremos lembrar enquanto a chama está acesa? É isso que queremos que nossa chama ilumine?

Uma - infeliz - coincidência aconteceu: uma pessoa da minha família partiu desse mundo hoje ao final do dia. E eu fiquei pensando: poxa, nós sempre acreditamos que nosso dia está longe (não só o nosso, como o das pessoas que amamos também) e acabamos não valorizando nossa vida, nossa rotina, nosso cotidiano, nossas pessoas queridas... E nossa chama está acesa! Nossa Tv ainda está funcionando! Mas não será para sempre, óbvio. Nunca saberemos até quando. O que sabemos é que somos finitos...

O que eu queria dizer com isso tudo? A morte existe e a morte é a certeza absoluta que temos. Mas a vida tá acontecendo, a vida é agora. Precisamos dar amor, precisamos receber amor, PRECISAMOS DE AMOR. O mundo tá sofrendo uma epidemia de depressão! As pessoas estão reféns das tecnologias, as pessoas preferem fazer um "textão" de agradecimento no Facebook do que falar o textão pessoalmente pra pessoa.

Vamos acordar, mundo! Vamos continuar usando as tecnologias, continuar usufruindo das novidades... mas, também vamos espalhar o amor enquanto estamos vivos e disseminar essa ideia. E aí, o que vc me diz?