28.11.07

O Passado

Separação, amor e loucura. Três palavras que estamparam as capas dos jornais nos últimos dias. As histórias de crimes passionais nos deixam perplexos e revoltados e revelam que os problemas de ordem emocional aumentam a cada dia. É disso que trata o último filme de Hector Babenco, diretor de Carandiru. O Passado conta história de uma separação e como ela é encarada de diferentes formas.

O Passado não nos surpreende apenas por mostrar as crises amorosas (aliás, esse assunto não é nenhuma surpresa), mas também por sua linguagem chula, cenas inesperadas de nudismo e pela belíssima fotografia. Atores impecáveis foram escalados para o elenco. Gabriel García Bernal é o ator principal. Apesar das alfinetadas da crítica, chamando o ator de “arroz de festa”, por estar presentes em outros tantos filmes, a escolha não poderia ter sido melhor.

Outro ator que não pode deixar de ser citado é o “nosso” Paulo Autran. No filme, o ator faz uma participação especial como o excêntrico professor francês Poussiére, que vive carregando uma jarra de água. Esta foi sua última atuação.

Baseado no livro homônimo do argentino Alan Pauls, o longa começa mostrando a separação, depois de 12 anos de relacionamento, de Rímini (Gabriel García Bernal) e Sofia (Anália Couceyro). Toda a tranqüilidade e a certeza que ambos demonstram diante da decisão se converte, ao longo do filme, em loucura.

Para quem não gosta de filmes do circuito alternativo com certeza terá dificuldades em aceitar O Passado. Um filme reflexivo, impactante e extremamente belo. Esta é a minha indicação para esta quarta-feira de promoção nos cinemas.

23.8.07

ESCUTATÓRIA

RUBEM ALVES

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caiero que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.Parafraseio o Alberto Caiero: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".
Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.


Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos.
É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades: Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio de dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia antes.


Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

28.11.06

Indicação de filme


A encantadora Amelie Poulain

Amelie Poulain é encantadora, divertida e de uma beleza diferente dos padrões atuais. Mas não é apenas por isso que o filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" é envolvente. Ele tem uma narração e construção dinâmica, que facilita que nos identifiquemos rapidamente com a doce Amelie. A história acontece em Paris, na época do acidente de carro que matou a princesa Diana. A deliciosa trama foi assim descrita pela Reuters:

"Amélie é filha única de um médico que diagnostica nela um problema cardíaco que ela, na realidade, não tem. Em função disso, ela nunca vai à escola e é educada em casa. Como não chega a ter amigos, desenvolve uma rica vida imaginária. Adulta, Amélie vai morar no bairro de Montmartre e trabalhar como garçonete num café antiquado, com funcionários e clientes repletos de idiossincrasias. Quando Amélie encontra uma lata repleta de brinquedos escondida na parede de seu banheiro, ela resolve procurar seu dono, hoje adulto, e devolver os pequenos tesouros. O resultado de sua iniciativa a convence de que, mudando um pouco o ambiente das pessoas que a cercam, ela é capaz de mudar suas vidas. "

Esta é a minha indicação, para quem deseja ver um filme lindo, divertido e nem um pouco piegas.

8.11.06

Receita para o vovô


Desde que o meu bisavô partiu para o outro plano não escrevi mais aqui. Aliás tudo aconteceu no mesmo dia que eu coloquei o último post. Faz um mês que ele se foi e estou voltando agora com uma receitinha. Não porque ele cozinhava. Muito pelo contrário. A refeição dele era colocada no prato pela minha avó. Essa receita tem um significado especial porque no quintal da casa onde ele morava tem um de acerola. E todo o ano fica carregadinho. Meu bisavô tinha um temperamento forte. Tinha ciúmes das plantas dele e tudo o que plantava nascia. Então em homenagem àquele que foi exemplo a ser seguido por todos nós, a fórmula mágica mais gostosa que experimentei!

Ingredientes: muitas acerolas, açúcar suficiente para cobri-las

Modo de fazer: coloque as frutinhas em uma panela com água quente e deixe esquentado no fogo. Antes de levantar fervura, desligue e coe a água. Coloque as acerolas em uma panela e cubra-as com o açúcar. Deixe derreter. É vc esperar engrossar e desligue o fogo. Espere esfriar e pronto! O doce dos deuses pode ser consumido com sorvete ou sozinho!

7.10.06

Minha flor, meu bebê


"Que prazer mais egoísta o de cuidar de um outro ser, mesmo se dando mais do que se tem para receber. É por isso que eu te chamo: minha flor, meu bebê" (Cazuza)


A Gabriela nasceu. No último dia 30 de setembro nossas vidas se tornaram mais coloridas, alegres e perfumadas. Sentir cheirinho de bebê pela casa, fraudas no varal, sapatinhos espalhados por todos os lados. Toda a rotina agora mudou. Hora de mamar, de dar banho, quem vai levar para vacinar? Uma família inteira voltada para uma única pessoinha, que tem cerca de 51 centímetros e nasceu pesando apenas 2kg 850g. Ela chora, faz birra e não nos oferece nada. A não ser despesas e fraudas sujas. Mas não importa. No fundo somos egoístas, como diz Cazuza. Temos um prazer íntimo e único de cuidar dela, que é totalmente dependente de nós. A Gabriela me conquistou e deixou completamente apaixonada por ela. E ainda acham que eu importo por ter ficado “para tia”.

22.9.06

"O Diabo Veste Prada" satiriza o mundo da moda


O filme "O Diabo veste Prada" (The Devil wears Prada) é baseado no best-seller homônimo de Lauren Weisbeger, jornalista recém-formada que trabalhou durante um ano como assistente da todo-poderosa editora da Vogue americana, Anna Wintour. Após ser obrigada a ingerir o pão que o diabo amassou, Lauren se demite e decide se vingar da chefe escrevendo um romance. O que se vê no livro, e agora no filme, é a visão de alguém que viveu dentro do ambiente insanamente tenso que uma chefe loucamente exigente é capaz de criar.

A trama do filme é a seguinte: Andy Sachs (a atriz Anne Hathaway) acaba de se formar pela Universidade Northwestern. Embora saiba muito pouco sobre moda, vai trabalhar como assistente de Miranda, editora todo-poderosa da revista Runway.

Andy pensa que um ano trabalhando na Runway vai enriquecer seu currículo e ajudá-la a alcançar sua meta de conseguir um emprego de repórter na revista New Yorker. O problema é que Andy é totalmente inapropriada para seu novo emprego.

Nigel (Stanley Tucci, perfeito no papel), o braço direito de Miranda, olha para Andy e percebe o que está por vir. Mas são justamente sua ingenuidade e sua falta de conhecimento de moda que acabam garantindo o emprego a Andy. Todas as assistentes anteriores de Miranda, fashionistas devotas que corriam para cá e para lá em seus saltos-agulha, a decepcionaram. Então por que não experimentar a nerd?

Instalada na revista como assistente No. 2, subordinada à assistente No. 1, Andy é rapidamente submetida aos rigores do temperamento de Miranda.

O problema é que a moda é um negócio sério nos Estados Unidos, e a Runway pretende se manter no posto de "bíblia desse mundinho". Os padrões elevados só poderiam ser mantidos por uma editora "assassina".

Por isso, Miranda e, por algum tempo, também Andy, priorizam o trabalho, sempre. Todo o resto: marido, gêmeos e qualquer vida social fora do mundo fashion, no caso de Miranda, e, no de Anne, seu namorado (Adrian Grenier), amigos (Tracie Thoms, Rich Sommer) e um escritor sedutor (Simon Baker), vêm em um segundo lugar muito distante.

Com o tempo, fica claro que existe uma razão por trás da atitude insana de Miranda. Suas exigências incessantes são testes que visam expurgar da revista os funcionários que não estiverem à altura de sua própria busca implacável pela perfeição.

De fato, a moral final do filme, de que isso não é maneira de se viver bem, parece vazia, porque O Diabo Veste Prada deixa transparecer uma ambivalência inequívoca em relação à Runway. Com sua admiração relutante pelas criações fabulosas da alta-costura e o estilo de vida glamuroso associado a elas, o filme acaba idolatrando aquilo que, supostamente, se propõe a satirizar.

Fonte: Reuters

18.9.06

São 25 primaveras

Ontem eu fiz a idade do Renew: 25 anos. De acordo com os especialistas, aos 24 anos a mulher começa a perder a elasticidade da pele, perder mais líquido e outras coisas mais que eu não saberia dizer. Apenas atestar empiricamente. perdi um ano sem fazer academia, me alimentar de coisas saudáveis e fazer o uso correto de cosméticos. A vaidade é um dos piores pecados capitais. Além de pecadora sou relaxada. Afinal, não faço grandes esforços em me manter bonita e saudável.

Que sina essa de ser mulher da sociedade de consumo. Queria não me preocupar em ter pés-de-galinha, estria, celulite, rugas, manchas, flacidez e uma aparência de 10 anos mais jovem. Bem, 10 anos é exagero. Acho que ainda passo por 20 aninhos. Ainda bem. E isto devo aos meuspais, que também têm a aparecia jovem. Na nossa família as pessoas são magras, saudáveis e têm vida longa. Acho que não tenho do que me queixar. Por enquanto vou me alimentar de maneira saudável. Depois encomendar o Renew de alguma consultora Avon e por último mematricular em uma academia. Esta é minha meta até chegar 17 de setembro de 2007.